A MINHA HISTÓRIA

Tinha eu apenas 15 anos quando o cancro (aquela doença que só acontecia aos outros) entrou na minha casa.

Durante mais de 5 anos a minha mãe lutou contra um cancro nos intestinos, passando por operações e dolorosos tratamentos de quimioterapia.

Vivendo no Algarve, naqueles tempos os tratamentos apenas se podiam fazer em Lisboa, pelo que todos os meses, lá íamos a minha mãe e eu passar uma dolorosa semana na Capital, onde tudo o que fazíamos era deslocarmo-nos ao hospital para ela receber os tratamentos e voltar para o Algarve.

Sobre Lisboa falarei mais à frente, pois sendo uma cidade que amo e que me acolheu com carinho muitos anos depois, devo dizer que durante a fase da doença da minha mãe me deixou completamente traumatizada ficando mais de 20 anos sem a visitar.

A minha mãe deixou-nos 6 anos depois, no dia 27 de Março de 1992, depois do cancro que tinha nos intestinos ter alastrado para o fígado e para os pulmões, e nesse dia, porque o medo se apoderou de mim, começou também a minha caminhada no mundo da alimentação saudável.

Fui vegetariana durante 8 anos e vegan durante 1 ano, recusando-me durante este tempo a comer qualquer produto de origem animal, no entanto não me sentia completamente bem, tinha falta de energia, e comecei a aborrecer-me das comidas que cozinhava.

Deixei o vegetarianismo e comecei numa incursão por diversas dietas, fiz a Dieta do grupo Sanguíneo, a Antidieta, A Dieta Paleo, e outras mais… e li e estudei e pesquisei muito sobre todo o tipo de dietas que existiam no mercado, fazendo do meu corpo o meu laboratório de experiências, eu queria afinal de contas ter uma alimentação o mais saudável possível, e claro, fugir a sete pés do cancro.

Foi no verão de 2015 que tropecei na Macrobiótica, e foi nesse verão que tropecei na Felicidade!

Sendo já formada em cozinha pela Escola de Hotelaria do Algarve do Turismo de Portugal e sendo a cozinha o meu mundo e a minha profissão, optei por voltar a Lisboa para me especializar em culinária Macrobiótica.

Tive alguma recusa inicial, pois Lisboa tinha sido o palco da doença da minha mãe e também a cidade onde durante uns anos fomos tão infelizes ela e eu, mas tinha chegado o momento de a enfrentar, Lisboa não podia ser o lobo mau que eu tinha na minha memória.

Durante um ano desloquei-me a Lisboa aos fins de semana para realizar o Curso Anual de Culinária Macrobiótica no Instituto Macrobiótico de Portugal, e além do aprendizado técnico nesta área foi para mim também o quebrar da dor e da minha mágoa para com esta cidade, onde durante esse ano, após as aulas, dei longos passeios sozinha pelas ruas e bairros típicos da cidade, e aos poucos fui-me reconciliando com ela.

A Macrobiótica é hoje o meu estilo de vida, a minha dieta, a minha filosofia, na macrobiótica encontrei finalmente o que estive procurando após a morte da minha mãe e durante mais de 20 anos, a macrobiótica conseguiu unir um estilo de alimentação saudável, a minha paixão pela cozinha, a minha profissão e a minha espiritualidade, foi como encontrar o tão desejado pote de ouro na ponta do arco iris.

Hoje, já reconciliada com Lisboa e com a vida, entendo melhor a partida da minha mãe e o porquê de que tive que passar por essa dor, e entendo melhor qual o papel que cada um de nós tem para desempenhar neste planeta, aquilo a que chamamos o “propósito de vida”.

Esta página é o resultado de todo o trabalho, estudo e pesquiza que realizei durante todos estes anos, é a minha casa e também a vossa casa, entrem e sintam-se à vontade, espero que gostem.

Deixo-vos um abraço acolhedor e energético, obrigada, com carinho Ângela Oeiras.